Lá dentro daquele mundo misterioso, daquele anel de serras repousa a lendária caatinga mesclada a refrescantes entornos de mata atlântica…Serra da Capivara, em S. Raimundo Nonato, no Piauí. Na entrada um bando de caetitu nos mostrava a forma hierarquizada de viver, pássaros exóticos cantavam e a gralha ecoava seu canto. Antes havíamos passado por uma caverna e o ventre da Mãe Terra se mostrava pleno das raízes indomáveis da gameleira que em busca de água não vê impedimentos, fura pedras, rasga a terra e segue em busca do líquido precioso da vida, só sossega quando repousa seus pés seguros na meta que almeja. Depois passamos pelo umbuzeiro, que também descobre a água e a armazena em suas raízes, "ele é capaz de armazenar 2000 litros de água" nos disse o guia Rafael com segurança e conhecimento de causa. Meditei ali sentada nas pedras pontiagudas, procurei sentir e beber da sabedoria do local, orei por mim, orei por nós, seres que povoam a terra e pude escutar o silencio da Deusa que repousava.Dali seguimos para o Parque da Serra da Capivara. Depois que fomos recebidos no local, adentramos os caminhos bem cuidados do parque e pouco a pouco as riquezas iam sendo reveladas. Paisagem estonteante de beleza e de mistérios! e o maior de todos pra mim era ver que os primeiros humanos aqui chegados, em nosso Brasil datavam de 100.000 anos! Na verdade aquele conhecimento que os primeiros humanos aqui chegados vinham pelo estreito de Bering e vieram da Sibéria, era tudo falácia. Eles vieram da África e vieram em busca de melhores condições de vida, aqui era um verdadeiro paraíso, com uma fauna e flora exuberantes. Haviam mamutes, lhamas, pássaros enormes, animais gigantes…e o mais belo de tudo era ver as inscrições rupestres gravadas nas paredes das monumentais pedras, cenas de caça, de sexo, de ritos, de dança, de luta…tudo ali gravado pra nos fazer recordar de um povo que amava a natureza e celebrava a vida.
sexta-feira, 30 de março de 2012
Nordeste, nordestina
Viajando até o Piauí e vendo as paisagens nordestinas, o sangue correndo pulsando em minhas veias me lembrava minha origem alagoana. O xique xique, mandacaru, umburana, angico,umbu cajá mostravam sua força e beleza. E eu sentia e via que para ali estar plantado precisava ter fé e muita coragem. Enfrentar o calor escaldante, ver os rios secarem, ver a água passar lá encima no céu nublado, mas não cair. Só sendo simples no trato e poeta que vê a beleza em cada recanto da Mãe Terra, no solo temperado do barro vermelho. Caminhamos, eu e meu companheiro, nos recantos de Juazeiro, Petrolina, Remanso, S. Raimundo Nonato, Oeiras até chegar a Teresina. Por entre estas paragens fomos encontrando pessoas lindas, com um sorriso no rosto e um gosto de bom dia na face. E dentre essas pessoas, conhecemos um homem, Sr. Abel, que produz cajuina, uma deliciosa bebida local, que as grandes empresas ainda não usurparam. E ele começou a contar um pouco de sua história, do nome da cajuina Zé do Cícero," …nome de meu pai, foi ele que plantou todos esses cajus por aqui, o povo dizia que ela era doido, que ali não dava caju. Eu fiquei com ele, todos meus irmãos foram embora e depois eu aprendi a fazer essa bebida e hoje criei meus filhos tudo com esse ganho. Meus filhos estão tudo na universidade. Sinto pelo meu pai não ter visto nada disso, ele que começou tudo, aí botei o nome em homenagem a ele." Nesse momento uma pausa, o olho vermelho, e aí me dei conta que eu estava chorando e ele também. Era uma alegria que brotava de dentro de mim, ver um nordestino com sua terrinha, sendo livre, podendo viver daquilo que plantava, sem dever nada a ninguém. Olhei pra terra que mesmo seca cuidava dos filhos por ela abençoados e pude sentir paz e gratidão. "Vamo lá em casa gente, tomar cajuina" ele e a mulher nos convidaram. E seguimos com eles pra sentar na porta e refrescar o corpo com a saborosa bebida.Doces memórias me chegavam naquele momento de meu pai, quando vivo, agricultor e de minha mãe, viva ainda, cuidadora da casa e dos filhos.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Rito de Wachuma
Cientificamente conhecido como Trichocereus Pachanoi, é uma das plantas mais antigas da América do Sul. A prova mais antiga de seu uso remonta ao ano de 1.200 a.C. Saber de si através da expansão da conciencia e não da perda da consciencia, é uma das grandes diferenças entre as plantas de poder e as ervas que viciam e que alienam o sujeito. É preciso ter o coração puro e querer de verdade tocar seu interior, sua origem de luz e de paz. Para esse encontro a XamAM fará o rito de Wachuma no próximo dia 17, sábado. As vagas são rigorosamente limitadas e o tema será Realidades Paralelas II.
Rito da Lua Cheia - Passagem e Paz
Dia 10 passado realizamos o rito da Lua Cheia, uma beleza de vida e de força. As xamãs cantavam pra Avó Lua e os tambores ecoavam nossos mantras de amor e cura. A avó no céu parecia se derramar em suavidades prateadas e até os pássaros da noite faziam suas canções de bem aventurança. Bendito raio que nos faz viver, bendita luz que nos faz amar. E a XamAM em sua casa cantava baixinho seguindo a letra das canções que ela mesma criou. Agora já eram outras xamãs, formadas por ela mesma, que brilhavam nos ritos, que vibravam em poder e magia. Bendito seja o aprendizado que permite a passagem e sabe a hora de se retirar.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Rito da Rainha Ayahuasca
Então, se voce não se inscreveu vai ficar para o próximo rito, porque as vagas já esgotaram! Agora teremos em março, dia 17, sábado, o rito de Wachuma com a Xamã Alba Maria e o da Rainha Ayahuasca com o Xamã Dhan Ribeiro somente em abril, dia 21, sábado. Fiquem atentos/as gente bacana. Pra voce que sempre pensou em vir, mas sente medo, te digo que o perigo de conhecer sua própria luz é nada diante de tanta contradição e dor que vivemos.
Infs: 33969810
Infs: 33969810
domingo, 19 de fevereiro de 2012
Nosso Aquecedor Solar de Baixo Custo
Nosso tanque para receber a energia do sol já está pronto assim como todos os cinco coletores. Agora nosso próximo passo, em março, vai ser a construção da estrutura que sustentará o tanque e os coletores. E aí, voce que frequenta a nossa Terra Mirim terá água calientada pelo sol. Já pensou que beleza?
E aqui ficam nosso carinho e gratidão por todos os mirinianos/as que participaram viabilizando esse trabalho e a Albertinho e Janete pela disponibilidade e prontidão em nos ajudar.
Que a solidariedade e a união sobrevivam e vençam!!
E aqui ficam nosso carinho e gratidão por todos os mirinianos/as que participaram viabilizando esse trabalho e a Albertinho e Janete pela disponibilidade e prontidão em nos ajudar.
Que a solidariedade e a união sobrevivam e vençam!!
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Pra você que me lê
Você, que tá aí, me lendo agora, te desejo tudo de bom, muita paz e que seus olhos possam apreciar o belo, seus ouvidos possam escutar o som da Deusa, seu nariz sentir o perfume da vida, sua boca tocar o sabor do amor e suas mãos possam dançar com os pés de eucaliptos ao vento.Meu coração sente o seu amor e seja como você for, dentro dele tem um cantinho que é só seu.Pense nisso quando precisar, que a XamAM mesmo sem te conhecer pessoalmente está contigo. Sempre...
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
Da vida vivida
Meditei sobre minha vida nos campos perfumados onde brotam as quaranas, os eucaliptos, as espadas de ogum, Onde rebentam os buquês de cashmere.
E me percebí mais serena, mais lenta em meu caminhar.
Reví meu rosto no espelho das águas e me comoví com minhas rugas,
Meus fios fartos de cabelo branco me falavam do meu ciclo final aqui na Terra, minha Deusa amada.
Escutei meu alfabeto interior me falar de renúncias, de mudanças em minhas atividades,
E comecei como a águia que troca suas penas, seu bico e suas unhas, a arrancar de mim desejos e sonhos
que não poderia dar continuidade.
Esses desejos e sonhos já não mais poderiam me pertencer
Eram desejos e sonhos que deveriam ser sonhados por outros/as,
Eram fragmentos de mim que seriam espalhados como punhados de areia ao mundo
para que aportassem em outros corações apaixonados e os fizessem acontecer.
Meu tempo agora é de consolidar o que já houvera construído.
Me ví com meu amor humano juntinho de mim,
O homem que a Deusa escolhera pra mim há 16 anos,
E sentí que precisava mais e mais me dedicar por amor, regando , cuidando, aprendendo,
da minha doce plantação.
XamAM palestrando
Dia 09, a XamAM deu uma palestra sobre sustentabilidade na Câmara de Vereadores de Simões Filho para 100 pessoas. Eram coordenadores e gestores da rede de ensino municipal. O tema abordado oportunizou aos participantes conhecerem um pouco sobre os quatro corpos que compõem a estrutura do ser humano: os corpos físico, emocional, mental e espiritual .E costurando esse conhecimento foram abordados os chacras, pranaiamas (práticas respiratórias específicas), kundalini, sexualidade...uma manhã rica de saberes e troca de sentimentos.
Ao final a XamAM construiu junto com todos os presentes, diga-se de passagem a grande maioria mulheres, a Teia da Vida. Momento de muito amor e inspiração, cheio de risos e conversas ao pé de ouvido.
Ao final a XamAM construiu junto com todos os presentes, diga-se de passagem a grande maioria mulheres, a Teia da Vida. Momento de muito amor e inspiração, cheio de risos e conversas ao pé de ouvido.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Rito de Wachuma
Noite da lua negra se fez o rito. O tema foi Realidades Paralelas, tempo dentro do Tempo. A tribo mergulhou em um infinito de imagens e memórias onde a existência dizia sim ao desenrolar dos segundos. A dança na madrugada, as estrelas brilhando e o milharal crescendo prateado. Cânticos, tambores e maracas tocavam o som da vida e Wachuma reinava tranquilo e acolhedor. Éramos santos/as, deuses, orixás, anjos e luz, muita Luz naquele círculo de paz e ternura. Nossos sintomas iam se desvelando e dentro de cada um/a, as células falavam e revelavam o que a mente sozinha jamais alcançaria. Na madrugada seguinte, a partilha na fogueira, um momento mágico onde pássaros anunciavam o amanhecer que semelhante ao entardecer nos fazia ver que a linha do tempo é uma, apenas uma e completando o cenário mágico pingos de chuva vinham nos abençoar e concluir o rito.E viva a medicina do deserto!
Sou avó
Há muito tempo sou avó, mas sempre meus netos e netas moravam distante de mim. Em novembro nasceu minha netinha Mani. Ela mora bem pertinho de mim e é adorável vê-la crescer juntinho, ver seu sorriso, seu jeitinho feminino, seu gosto pelos tambores, sua alegria em andar por Terra Mirim. Olho pra ela e fico apaixonada, tudo que ela faz acho lindo, fenomenal, embora saiba que toda avó acha isso também, e me vejo sorrindo por tocar nesse sentimento de todas as mulheres avós do mundo, nossos/as netos/as, frutos de filhos e filhas amados/as são sementinhas de luz que vindas das estrelas fazem brilhar mais e mais as estrelas contidas nos grãos de areia de nosso planeta. E me invade um sentimento desconhecido, extremamente confortável em achar que ela chegou na mãe Terra pra me fazer lembrar da beleza da semente quando germinada em terra fértil.
Colheita em Terra Mirim
Há algum tempo venho meditando sobre o ato de comprar em supermercados. Quando lá vou, fico observando as pessoas adquirirem seus produtos e a alegria que sentem ao ver seus carrinhos cheios de ingredientes que farão o cardápio sonhado. E me pergunto: será que elas sabem de onde vem esse alimento? Será que elas se lembram que o ovo vem da galinha,que a carne vem de algum animal abatido? Será que sabem que cada fruta faz parte de uma rede de vegetais que necessitam cuidados e atenção diárias?
Uma vez aqui em Terra Mirim uma criança vinda da cidade espantou-se ao saber que o ovo vinha da galinha, ela jurava que o ovo vinha da prateleira do supermercado! E foi assim pensando que resolvi voltar
às minhas origens de camponesa e resolvi plantar, desenvolver uma pequena roça pra me alimentar e também alimentar minha tribo de Terra Mirim. Uma felicidade me invadiu e comecei a semear a terra cuidada, regando todo dia, vendo a plantinha crescer e se doar madurinha pra que eu a usufruísse. Atualmente colho tomate, milho, quiabo e maxixe todo dia, uma beleza poder tocar em cada um desses alimentos e agradecer pelas bênçãos da mãe Terra na bendita terra de Terra Mirim.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Ano Novo em Terra Mirim
Nos preparamos muito para receber e doar energias de Paz e Luz nesse final/início de ciclo. Perguntei-me muitas vezes o que gostaria de doar e meu coração me dizia: doe tudo, pois nada lhe pertence . E assim fiz na linda celebração miriniana no último dia do calendário oficial. Sei que o tempo não se submete às datas estabelecidas pelo sistema, mas havia uma energia no ar e eu precisava tambem mergulhar nessa energia. E assim, nós, da comunidade Terra Mirim fizemos.Começamos os festejos às 19:00hs em uma grande roda na casa das artes, os tambores tocaram anunciando o final de um ciclo e o nascimento de outro, depois cada um/a se apresentou falando um pouquinho de si, dizendo palavras que vinham de dentro do coração emocionados/as por ali estarem sentindo a vibração daquele local mágico. Sim, vinham passar um romper de ano diferente, xamanico, sem nada que os embriagasse a não ser o instante que era vivido. Como o poeta Rumi falava, embriagado do amor de Deus, isso bastava. Depois das apresentações, canções xamanicas e tambores acompanhavam o abraço carinhoso que cada um/a trocava. O que nos aguarda? Pensavam algumas pessoas, e tudo que vinha depois era repleto de magia e de beleza, minuto a minuto, tudo conscientemente realizado. A ceia e seus deliciosos quitutes preenchiam a mesa e sussurros de aprovação emanavam de cada pessoa que se deliciava.A entrada no labirinto de luz veio a seguir.Construído com palhas de dendê e preenchido com velas e sinos, dava o sentimento de um campo mágico de acolhimento e plantação. A fogueira acesa dava o toque especial da noite, acendendo em cada coração a essência da Luz. Todos/as em seguida se dirigiram para as mesinhas onde construíram suas oferendas no significado de gratidão ao ano que encerrava seu ciclo e ao ano que se abria pra nos receber. Era cada mandala mais bonita que a outra, com flores, velas, doces e sementes a serem entregues ao Avô Fogo que contente recebia aquelas oferendas soltando milhares de faíscas e fazendo as salamandras dançarem ao seu som.
Próximo ano lhe convido pra estar também conosco. Venha mesmo, participe do movimento de Luz e Cura em nossa comunidade.
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