A prata espelhada se derrama pelos céus dos mundos e nos lembra viscerais sentimentos de amor e transparência. Cada fase da Lua tem seu significado e para nós, Xamãs, a lua é nossa avó, aquela que nos remete ao feminino sagrado, às mudanças de humor e ao enlevo nostálgico das noites de celebração que foram proibidas. Na fase atual da Lua Nova, vamos implementar nossas metas de trazer sentimentos de Luz guardados e cultivá-los. Na cabana da Lua sentar e meditar sobre tudo que precisamos liberar. Fazer oferendas com flores colhidas no campo e ofertar à nossa Avó com canções que venham de dentro de nós, com orações de gratidão e beleza. Nesse período é um tempo maravilhoso de construir o instrumento xamanico conhecido como Bastão de Poder para assegurar sua força e seu brilho interior. Deixa fluir o amor, deixa acontecer o novo, que de verdade é antigo como nossa própria existência. No mundo paralelo que vivemos, tudo é uma questão de reconhecimento.Eu re - conheço você!! Hey XamAM!
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
quarta-feira, 9 de janeiro de 2013
Roda dos Sonhos
Estava fazendo a roda dos sonhos…lembrei da mitologia…certa vez, no tempo chamado eternidade, Nokomi, uma Avó, estava deitada vendo uma linda aranha tecer sua teia. A Avó olhava com muita atenção todo aquele minucioso trabalho. O pequeno neto de Nokomi quando viu aquela teia sendo tecida veio em sua direção para desmanchá-la. A Avó o impediu. Iktomi, a aranha viu tudo aquilo e quando o neto saiu ela falou:" você salvou minha teia, em troca lhe ensinarei como fazê-la."
E foi assim que uma noite, em sonhos, Iktomi ensinou detalhadamente a avó a tecer a teia que ficou conhecida como filtro ou roda dos sonhos. E completando o ensinamento a aranha falou: "essa teia servirá para filtrar os maus sonhos e todo sonho bom passará por ela e se realizará na vida do sonhante." E é assim que em alguns ritos xamânicos a XamAM ensina a cada pessoa que deles participa a fiar sua teia impregnando-a de Luz e Vida. Hey XamAM!
domingo, 6 de janeiro de 2013
Mente, sabedoria, relaxamento.
Dia desses estive muito ocupada com algumas questões que surgiram em minha comunidade. Não sabia bem como resolver e quanto mais eu pensava mais pensamentos vinham. Sentei-me diante da fogueira e comecei a respirar, suave, docemente. E aí me veio uma metáfora que me foi contada há muitos anos por uma pessoa sábia e amada por mim. Na Índia, alguns anos longe…um camponês andando pelos caminhos de Varanasi, encontrou uma garrafa e dentro dela havia um gênio que ao sair lhe disse que todos os desejos dele seriam satisfeitos, mas que caso ele deixasse de desejar o gênio o engoliria. O camponês ficou muito feliz e imediatamente começou a desejar várias coisas: alimento, roupas, palácios, mulheres…em pouco tempo tudo que ele queria estava ali, presente. Então ele começou a pensar que não haveria mais nada a pedir e preocupado procurou por um sábio que morava em uma das tantas cavernas do apocalíptico local chamado Varanasi. Encontrando o santo homem, ele contou seu problema ao que o santo falou: busque ocupar o gênio, diga ele pra ficar subindo e descendo um poste durante todo o tempo e quando precisar dele apenas chame-o. E assim ele fez. O gênio ocupado não poderia devorá-lo e o camponês poderia viver em paz. Lembrei-me da história e percebi que aquele era o momento exato de sentir minha mente como meu gênio e pude dar a ele a subida e a descida no poste : minha respiração. Apenas respire e se ocupe com a inspiração e expiração, falei à minha mente. Assim o fiz e dessa forma pude ver a solução clara diante dos meus olhos. As chamas da pequena fogueira dançavam à minha frente e pude agradecer pela curativa memória. Reaprenda a respirar, a relaxar e a agradecer. Hey XamAM!Acreditem em seus mundos. Eles existem.
A vida me ensina a ver as inúmeras realidades que existem no universo que vivo. Seres que me habitam, que me levam a pensar e a sentir forças e paisagens desconhecidas. No mundo xamânico onde vivo existem seres que me ajudam, existem seres que tentam interferir, existem realidades que nunca pensei existir, existem sentimentos que jamais pensei sentir. Mundos imateriais que me povoam e que são absolutamente verdadeiros. São eles que me nutrem, são eles que me fundamentam pra que eu possa continuar existindo. O artesanato que faço como o filtro dos sonhos que a Avó Nokomi ensinou a avó das avós, o bastão de poder que o avô Pársi aprendeu e ensinou ao avô dos avôs, o olho de deus que os huicholes aprenderam com a mãe das mães…todo esse material faz parte de mim, além dos encontros profundos que tenho com meus avós, os quatro elementos que me preenchem de ensinamentos e alegria de vida. Anos antes, tudo isto era confundido com loucura humana, hoje a ciência inicia seu processo de esgotamento e vai incorporando o imaterial em seus estudos, vai se aproximando do que condenavam. Com seus poderosos instrumentos vai tocando o não revelado aos olhos comuns até o ponto onde o mistério permite. Clamo que vocês confiem na realidade interior que lhes habita. Ela é seu patrimônio imaterial, não tenha medo dela. Torne-a aliada e companheira do seu cotidiano. Estamos juntos/as.
terça-feira, 25 de dezembro de 2012
Estrelas brilhando
A vida me presenteou mais uma vez com o profundo rito da Ayahuasca, Senhora da Floresta. Seu vestido dourado cobria o pó da terra, os anéis estrelados mostravam a noite com raios de amor e me encantei com seu canto de bem aventurança. Quero viver a bem aventurança em meu cotidiano, solicitei baixinho, quero aprender a me expressar em Luz e Compaixão. E vi o planeta girar e se diluir em ar e mar, do fundo do mar visualizei o cavalo marinho me ensinando a andar no ar e no mar. "Flexibilize ", dizia ele, "caminhe em ondas. O pensamento faz curvas, a energia dobra. Você precisa dobrar, fazer curvas". E assim fui eu, caminhando em curvas por entre o espaço plantado de bananas, aipins, uvas e tantas outras irmãs. Dancei ao som da Lua e deleitei-me com a sabedoria da minha guianca. Segui mais uma vez ao encontro de mim e respirei amor e vida. Sol raiando escutei os pássaros e olhei o amor em cada olhar daquelas pessoas que jornaram comigo. Bem aventurança vivida, bem aventurança nutrida.
sábado, 15 de dezembro de 2012
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Que passa e passa...novo hit
Vi o passarinho cantar, todo colorido se apresentava diante de mim, na minha janela. As bananeiras estavam prateadas e o brilho delas me enchia de vida e de paz. Comecei meu dia assim, respirei e segui. Adiante encontrei alguém que me falou: esse final de semana foram mortos 03 jovens, inclusive um que por aqui, na Terra Mirim, passou. Drogas, dores, falta de amor. Meu coração mais uma vez apertou, a cada semana, jovens morrendo, crianças violentadas, mulheres espancadas. A cada semana, novos milionários surgem faturando zilhões, esbanjando degradação. Drogas, dores, falta de amor. Meu coração tambem aperta e chora. E com tudo isto acontecendo, vejo a lua e o sol chegarem, iluminando como corpos esquizofrênicos e solitários nosso planeta que com toda sua generosidade oferta seu corpo pra nos alimentar e sustentar. O caldeirão ferve e eu mergulhada estou. Só espero não precisar ser tão cozida a ponto de me tornar insensível diante de tudo isto.
E tudo passa e passa e passa…e passa, e passa
E passa e passa…
Cruzes, seria esse o novo hit eletrônico?
E passa e passa,
E novo show,
Que passa e passa…
E tudo passa e passa e passa…e passa, e passa
E passa e passa…
Cruzes, seria esse o novo hit eletrônico?
E passa e passa,
E novo show,
Que passa e passa…
Xamã Tripolar
Tantas coisas têm acontecido simultaneamente que muitas vezes penso e sinto que vivo vidas dentro de vidas. O fôlego falta diante de tantas coisas que se sobrepõem e fico pensando que esse aceleramento deve fazer parte de um grande show onde certamente não sou a estrela maior. Vejo-me vagando diante de um grande oceano pensante. Oceano que pensa de forma extremamente inteligente, teia urdida em recantos inacessíveis aos meus neuronios que não foram treinados para ir além. E sinto em meu corpo, casa/residencia de mim, que me pertence e que preciso cuidar, os reflexos dessa urdidura. `As vezes uma pontada no peito, uma angústia inexplicável, um sorriso que escapa, uma gargalhada alógica. Talvez os doutores, também eles cheios de sintomas, diagnosticassem presença de bipolaridade. Sim, talvez seja verdade, mas eu prefiro e vou acreditar que a dor do mundo se mescla a minha própria dor, que o sorriso do mundo se mescla ao meu próprio sorriso e dessa forma minha alma, em sua teia infinita, fica comprometida e expressa através do meu corpo o que sente. sinto e sigo. Seguro meu bastão mesmo quando vacilo.
domingo, 14 de outubro de 2012
O Peru foi uma viagem tão linda, tão linda que voltei zerada. Sem nada
pra pensar ou desejar, adoeci. Fiquei de cama, gripada, sem querer comer
ou beber nada. Sozinha ali, com meu sentimento de plenitude e
pacificação há muito sem sentir. Em silencio pude ficar totalmente
conectada a fonte que toquei, aos banhos de cachoeira dentro da selva
peruana que tomei. Aos sons da mata, ao brilho da lua e a luxuruosa
simplicidade da mata convidativa.
Posso dizer que toquei o som do silencio, aquele que havia lido no maravilhoso livro "Milarepa- o Xamã do Tibet" pude entrar no fio invisível do silencio e ver meu corpo se fragmentar, milhões de células dançando, coloridas se mesclando e desmesclando. O som as fazia unir ou separar. E tudo era incrivelmente sensual, deliciosamente apaixonante. Mente livre com asas, sem nada, sem perguntar nada, sem querer nada, NADA. Como querer novamente desejar? Como me persuadir a me unir aos traços de desejos que me fazem viver nessa terra? Renascendo, sendo matéria viva, renovando meus votos de viver e aqui seguir. Nossa, que exercício poderoso de rendição e ternura. Aos pés e nos braços do meu amado me voltei a mim e sorri. Vivi, desejei.
Posso dizer que toquei o som do silencio, aquele que havia lido no maravilhoso livro "Milarepa- o Xamã do Tibet" pude entrar no fio invisível do silencio e ver meu corpo se fragmentar, milhões de células dançando, coloridas se mesclando e desmesclando. O som as fazia unir ou separar. E tudo era incrivelmente sensual, deliciosamente apaixonante. Mente livre com asas, sem nada, sem perguntar nada, sem querer nada, NADA. Como querer novamente desejar? Como me persuadir a me unir aos traços de desejos que me fazem viver nessa terra? Renascendo, sendo matéria viva, renovando meus votos de viver e aqui seguir. Nossa, que exercício poderoso de rendição e ternura. Aos pés e nos braços do meu amado me voltei a mim e sorri. Vivi, desejei.
Zonas de Conforto ou Alienação?
Dia 27 próximo me reunirei mais uma vez com mulheres pra falarmos de
nós, fazermos artesanatos e dialogarmos sobre nosso cotidiano. Em
seguida , nesse mesmo dia farei o rito de wachuma. Dia de intenso
trabalho, de profunda ternura e simplicidade. Penso em nossas buscas,
caminhadas profundas, desejos tão viscerais, calados, escondidos,
chorados em cantos solitários. Nossas mentes impulsionadas por nossos
próprios conceitos sendo obrigadas a decodificar pensamentos que vindos
de não sei onde chegam atravessando, rasgando, mostrando, denunciando. O
corpo ferido e mascarado de alegria, o coração queimando e mascarado de
desapego, de uma insana compreensão. E esse feminino ardente, que não
tem coragem de se expor. Porque dói, porque não quer mostrar a ambição
guardada, a sexualidade explosiva, a agressividade aprisionada. Então
morre e mata. Inexplicavelmente se vai, se torra e se maldiz. Mas sorri,
porque diz ser forte, mas abre os olhos e insiste em cantar.
terça-feira, 4 de setembro de 2012
Tempo da Lua que vai...
Olhava-me no espelho enquanto penteava meus cabelos, os fios prateados inundavam minha longa e outrora negra cabeleira. Invadia-me a doce sensação de antiguidade. Aos cinqüenta e nove anos sinto-me iniciando o caminho do Grande Retomo; agora, meu corpo já não solicita a busca bendita do mundo externo, mas sim a sábia caminhada do universo desconhecido que me acompanha desde quando na Terra respirei pela primeira vez. O mundo interno a mim mesma, clama por mim. Estou penetrando os caminhos virgens para o encontro com minha Anciã que pacientemente aguarda encontrar-se comigo. Sinto o vento suave dizer-me que meu Eu deseja encontrar-se com meu pequeno eu tornando-se um só. A ilusão da separatividade inicia fortemente sua própria destruição; certamente o deus Shiva esteve trabalhando com afinco para que cada parte de mim pudesse encontrar com seu lado complementar e assim a Unidade pudesse ser estabelecida. Olhava para minha imagem especular e lembrava-me de todos os Anciões que me antecederam: minhas avós, minha mãe, meus avôs, meu pai ... momento de memórias sagradas onde o tempo se mostra abrindo um belo livro, aquele onde ninguém pode ler por mim: o livro individual, pessoal por excelência.
Paisagens
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Gratidão
Quero agradecer profundamente a todas as pessoas que se inscreveram pra minha viagem ao Peru no próximo mês e dizer a vocês, que o grupo já está completo. As vagas se encerraram. Penso que todos esses anos de intenso trabalho, são mais de 25 anos, viajando, caminhando, conscientizando e corajosamente doando minha vida a cada instante me ofertam frutos saborosos, como o experienciar viver em uma sociedade altamente consumista, onde milhares de ofertas de curas e promoções são realizadas, paredes inteiras cheias de panfletos, mídias bombardeando a cada instante as pessoas com suas promessas miraculosas, conseguir ultrapassar tudo isto e através de escritos sucintos em meu blog e no site da Terra Mirim preencher vagas para uma viagem verdadeiramente de mergulho em si, sem promessas de fenômenos ou que tais, simplesmente a oferta que para mim representa o maior milagre que pode acontecer a alguém: se desvelar em si mesmo/a e tocar sua própria existência. Meu amor e bênçãos a todas as pessoas que acreditam no Serviço que realizo e que me ajudaram também a compor esse belo movimento através da maior mídia que pode existir: o boca a boca.
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