Tantos questionamentos, tantas inquietações…vocês já se perguntaram porque e para que mesmo nascemos? Sim, sei que existem mil respostas, os gurus, mestres, terapeutas, xamãs, cientistas e tantos outros/as nos respondem tantas coisas…mas, dentro de você mesma/o essa pergunta já foi verdadeiramente calada? Em mim, a inquietação continua, mais mergulho, mais a Deusa me toma, me dilui, me rasga e me faz ver o mundo imenso que existe dentro e fora de mim. Construção e desconstrução me levam ao caos e `a ordem do universo.
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
Na magia peruana
Sigo com o grupo para Chiclayo hoje. Vamos entrar em um mundo de milhares de anos, onde o Senhor de Sipán governava seu povo. A arte da medicina era vivenciada através de seus sacerdotes e xamãs. O ouro e as pedras preciosas tornavam aquela civilização gloriosa e ostentadora. O museu de Sipán nos retrata a história viva daquele povo.
Seguiremos em seguida para Tucume, onde as livres montanhas nos convidam para penetrar no mundo mágico andino. Wachuma nos aguarda para um grande e poderoso encontro. A magia abre suas dobras e os portais das realidades paralelas nos ensinam que há muito mais possibilidades e mundos do que nos quer mostrar nossa caduca e aprisionante educação
A vida, o destino
Estive lá nas montanhas de Urubamba, pertinho de Cusco, no Peru. O local respirava paz e acolhimento. Acredito que é a primeira vez que usufruí desse ar gentil e profundo. Acordo cedo, medito olhando as montanhas, escrevo e sigo com uma amiga querida pra conhecer melhor esse local rico de magia e de vida. Vejo os nativos caminharem e ponho-me a pensar nos sonhos deles. As mulheres com seus bebes `as costas, os homens, a maioria borrachos, seguem seus caminhos. Visito espaços de artesanato em argila, tomo aulas de pintura em cerâmica e converso com algumas mulheres que hoje empresárias do ramo de hotelaria me falam de seus sonhos e seus desejos. Rimos como gente feliz e falamos do nosso cotidiano. Algumas da minha geração com seus olhares ainda bastante vivazes, outras de uma geração mais recente que clamam por seus direitos e por sua liberdade.
Sigo entre as montanhas e oro por tudo, agradeço a vida e me preparo para o passo seguinte, o despertar cada vez maior de meu coração pra realização plena da missão que vim cumprir nessa terra.
quinta-feira, 4 de agosto de 2011
Dizeres da Xamã
Fiz uma longa viagem, cheia de trilhas, ritos, encontros...sentí que realizei verdadeiramente o que me determinei a cumprir. Realizei muitos ritos com as ervas sagradas na Alemanha e Estonia, reveladoras cabanas da purificação, me ví mais uma vez sendo solicitada a repassar ensinamentos que guardo e comungo há mais de 25 anos com as pessoas. Visitei fortes e valorosas comunidades como Damanhur, onde havia sido convidada desde o ano passado a estar com eles, ofertando minha energia juntamente com a deles para que o templo do Povo fosse construído.
Fui muito bem recebida por aquelas pessoas que de verdade sabem o que é uma comunidade, como se trabalha, as dificuldades que existem e justamente por esse motivo respeitam as pessoas que pioneira e corajosamente se lançaram em uma empreitada desse teor. Lembrando que nossa comunidade Terra Mirim tem 25 anos de constituída. Fico até me perguntando que outra comunidade aqui na Bahia resistiu tanto. E aí me permito divagar sobre o porque, aqui em nossa terra, onde há tantos anos trouxemos questões, paradigmas tão atuais, temas como o xamanismo quando naquele tempo ninguém nem sabia o que era essa filosofia e forma de viver, somos quase sempre excluídos e omitidos. Será o ranço da colonização? Enfim, permito-me deduzir que se entendeu quase nada do que fazemos, mas lhes digo que não desistimos, vamos continuar sim a incomodar, falar, questionar, a buscar a coerencia da palavra e do ato, vamos sim! E retornando para a bela Damanhur posso lhes dizer que o trabalho coerente e vanguarda realizado ali é indescritível! Vejam o site deles, é muito lindo!Tamera, comunidade em Portugal
E de Damanhur seguí para Tamera, a corajosa comunidade instalada no sul de Portugal, região extremamente seca e árida me lembrando o nosso sertão.Lá,fui recebida pela instituidora, a alemã Sabine onde logo no primeiro instante me sentí irmanada, pela sua fé, sua garra e seu amor pela natureza.Conversamos algumas horas e fomos conhecer espaços da comunidade. Os lagos que foram construídos por eles, a energia solar, fotovoltagem, o alimento plantado...quanto trabalho realizado por esses pontos de luz no planeta que teimam em dizer que um novo sistema floresce na terra e que necessitamos investir nesses pontos de luz, nessas comunidades que sobrevivem pelo amor da Deusa e através de pessoas de coração puro e alma pura que se doam e se unem. Meus olhos se comovem diante da persistencia das mãos que tecem um novo mundo, uma nova paisagem.
E dali, guiadas por uma jovem palestinense seguimos para o rito de boas vindas, pois dia seguinte aconteceria um grande encontro onde pessoas do mundo falariam sobre a paz e sobre comunidades.Uma bênção ao por do sol, o grupo reunido e Sabine me convida para dizer a oração da Grande Mãe em voz alta. Que beleza estar ali, sentindo a brisa do tempo e a energia da real solidariedade acontecer. Pessoas do mundo em silencio respeitoso ouviam as palavras proferidas por mim em homenagem à Deusa Mãe. Que o amor e a justiça sobrevivam! Gratidão meus irmãos e irmãs dessa terra por me fortalecerem e ofertarem suas mãos para a tessitura dessa bela teia. Sugiro voces conferirem o site de Tamera.
quinta-feira, 23 de junho de 2011
A jornada - momento inicial
No dia 02 de junho aconteceu um belo círculo de partilha no centro de Colonia. Era meu primeiro compromisso. A sala estava cheia e as pessoas vibravam com cada palavra, com o tema que surgiu espontaneamente naquele espaço. A vida, a morte, os relacionamentos, a liberação do que não serve mais. O ambiente foi tomando vida e a Graça da Guiança foi se materializando. Pouco a pouco comungávamos de um mesmo sentimento de amor e gratidão por tudo e por todos, uma onda amorosa surgia dali e se irradiava por todos os recantos daquela sala e de nossos pensamentos. Ao final, os cânticos xamanicos, nossas canções de cura e de vida. Era tanta energia, tanta vibração…os tambores penetravam nos sonhos e ali fincavam raízes. Era a Mãe Terra clamando pelo despertar, pelo assumir o cuidado com todos os seres que não sabem usar nossa linguagem: os animais, vegetais e minerais. E com essa energia finalizamos o encontro. Olhares brilhantes, abraços de boas vindas e palavras sinceras de amor e acolhimento.
Em terras longínquas
E cheguei nas terras germânicas no final de maio, o sol estava causticante até o dia anterior, mas na minha chegada os primeiros pingos de chuva se anunciaram e com eles o frio. A mudança do tempo. Sentí as águas saudando, de saudar e de saudade… afinal fazia um ano que por aqui não vinha.
As plantas que margeiam as estradas desse belo país estavam secas, amareladas do sol que não dava trégua e agora, com a chuva abundante começariam a ficar verdes outra vez. Dia seguinte, observei minha agenda, fiz alguns ajustes e me dei o direito de observar a floresta e o pequeno riacho que fica atrás da casa de amigos que me abriga. Permanecí assim durante muito tempo me revendo, me fazendo chegar e agradecendo por poder estar ali, vendo a chuva cair, o frio acontecer e o tempo se prolongar. São 14 anos de vinda para Alemanha, no início nada foi fácil. Terra estranha, idioma mais estranho ainda. Caminhava pelas ruas como alguém que vê tudo pela primeira vez e precisa aprender rápido, pois a idade não permitia mais as perguntas inocentes ou o olhar desatento. E foi assim que aprendi a compreender de forma mais profunda os gestos e a linguagem corporal. Hoje ainda não sei o idioma falado, mas conheço a melodia das palavras, o olhar que diz sim e não, a forma de expressão corporal. Hoje conheço o que eles chamam floresta -pinheiros em sua maioria- e lindos recantos.
sábado, 4 de junho de 2011
quinta-feira, 26 de maio de 2011
Mundos Intangíveis
Vocês acreditam em realidades paralelas? Pois é, elas existem mesmo, são mundos dentro de mundos, como sonhos que sonhamos quando dormimos. Aquela realidade existe, só que em outro campo, são verdadeiras. Nas meditações e ritos atingimos esses campos e tocamos no mundo da teia criadora. Na maioria das vezes sentimos medo desses mundos intangíveis, mas não precisamos temê-los, são nossos, nossas realidades ampliadas, fruto de estrelas e galáxias distantes fisicamente falando, mas próximas espiritualmente falando.
Somos formados por átomos, o Universo também, dessa forma tudo que está encima ou embaixo, ou de lado estão e É cada um de nós. Reflita sobre isto e ao refletir sinta que seu pensamento também é intangível, mas ele existe, não é?
Minhas Viagens
Estarei viajando no próximo dia 29 de maio, domingo, para uma temporada na Europa. Vou a Alemanha, Estônia, Itália e Portugal. Sinto-me caminhando e cumprindo meu destino de mensageira da mensagem da Deusa, cuidado com a Terra e com os seres não falantes que nela habitam. De lá, onde estiver, enviarei notícias do meu dia a dia.
Retorno a Estônia, lugar abençoado pela energia da Deusa Mãe. É algo indizível a atmosfera mágica que envolve a terra estoniana. Se voces desejam tocar na humildade e na sabedoria de uma terra pode crer que essa viagem lhe pertence. Confira programação.
Formigando
Pensei hoje nas formigas
teimosas tentando entrar nas frestas das paredes
porosas e aconchegantes das casas humanas.
Era a chuva inundando
os palácios que elas tinham construído
embaixo da terra.
Menina ainda queria ser formiga
pra ver o cheiro da terra
e sentir a cor que surgia na escuridão
do meu coração solitário.
teimosas tentando entrar nas frestas das paredes
porosas e aconchegantes das casas humanas.
Era a chuva inundando
os palácios que elas tinham construído
embaixo da terra.
Menina ainda queria ser formiga
pra ver o cheiro da terra
e sentir a cor que surgia na escuridão
do meu coração solitário.
Flashs da comunidade miriniana
No dia 21 de maio aconteceu o forró da Mirim idealizado pelos jovens que lá habitam. Foi o forró do Curupira. Têve sanfona, zabumba e triângulo, coisas do meu nordeste, terra das Alagoas. E ao escutar Luís Gonzaga naquela sanfona melodiosa do povo de Camaçari, não pude deixar de lembrar de meu pai, homem da terra que com seu inseparável chapéu nos ensinou a amar a terra e dela cuidar. Ví a mesa farta de laranja, de aipim, milho, coisas das terras mirinianas que plantamos, sem venenos, livres de intervenções humanas, sementes crioulas, pura saúde. Deliciei-me com os sucos de jenipapo e quentõessem álcool. E dia seguinte têve mais festa, o aniversário da Mirim, eram seus 19 anos de oficialização. Simples e belo como tudo em nossa comunidade. Minha imensa gratidão ao povo que construiu esses momentos de amor e alegria.
domingo, 15 de maio de 2011
P´ra Maria Izabel
Menina branquinha saída da minha barriga
Cabelo pretinho contrastando cor e pelo
Saída em dia de sol dourado
Ventre da mãe, morada do infinito.
Água do olho, pura beleza e alegria
Peito vertendo leite guardado pelo tempo
Olhos de quem quer ver
O mundo.
Conhecer coisas da terra.
Hoje com outro serzinho na barriga
Soberana em condição de mulher
Pés descalços que nem criança,
Plantando árvore pra comer
Cuidando da pedra pra poder sentar
Amando Pagu, lagartixa, cobra,
Homem e mulher
Menina bonita, poeta, inquieta,
Sossega nesse amor.
Cabelo pretinho contrastando cor e pelo
Saída em dia de sol dourado
Ventre da mãe, morada do infinito.
Água do olho, pura beleza e alegria
Peito vertendo leite guardado pelo tempo
Olhos de quem quer ver
O mundo.
Conhecer coisas da terra.
Hoje com outro serzinho na barriga
Soberana em condição de mulher
Pés descalços que nem criança,
Plantando árvore pra comer
Cuidando da pedra pra poder sentar
Amando Pagu, lagartixa, cobra,
Homem e mulher
Menina bonita, poeta, inquieta,
Sossega nesse amor.
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