sábado, 30 de outubro de 2010

Desdobramento de Ações

E a vida no Vale do Itamboatá, região onde a Fundação Terra Mirim (FTM) está localizada e onde a XamAM vive, continua pulsante. São histórias de violência, de falta de sensibilidade, de escolas sem aulas, de dores do feminino. Mas nada disso impede o ânimo da XamAM em continuar seu exercício de cidadania. Digo a vocês que `as vezes me bate um cansaço, um "não tem jeito" me chega. Mas lembro dos animais famintos desse vale, das árvores destruídas,das crianças sem suporte, das mães corajosas e dos homens de bom coração. E sigo. Faço arte com os jovens voluntários que aqui chegam das cidades querendo ajudar na reconstrução solidária desse mundo. Vou com eles, deixo-me guiar por seus instrumentos musicais e por seus sonhos. 

E dessa forma foi realizado o Ecoart, um evento muito belo que contou com a participação, entre outros, de 80 capoeiristas. A roda se fez e nosso Mestre Dal dirigiu os batizados daqueles jovens que trazem no sangue os sagrados vírus da Mãe Terra da resistência e da coragem. Há que se manter viva a importante tradição e a XamAM ora e trabalha pra que um raio de luz possa surgir e a tradição consiga sobreviver.

Poetando na Lua Cheia

O dia chuvoso parecia anunciar uma noite fria. A terra agradecida acolhia o sêmen que vinha do céu nublado, o silencio dos pássaros nos chamava ao recolhimento e a reflexão. À noite, um grupo de buscadores se dirigiu à mata atlântica local para um realizar um rito xamânico com uma das poderosas ervas utilizadas pelos curadores e mestres da Tradição indígena. A XamAM, que traz no sangue a marca das três raças, sente o local, o odor do amor e da força. A lua vai surgindo no céu, brilhante, linda, qual uma nave a aguardar aquele pequeno grupo de buscadores. A noite se transforma em um dia claro e as nuvens se retiram abençoando o momento sagrado. E os poetas poetizam, a nave nos conduz, a Senhora dos Mundos nos acolhe em seu colo de Mãe Eterna.
Os poderosos cânticos se fazem e a oração ecoa pelo Vale com  a intenção de paz e sossego. Possam os senhores da guerra e da destruição escutar nosso clamor. E que a Deusa nos guie.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Xamanismo

Há muitos anos, quando a XamAM iniciou esses caminhos de escuta das matas, das pedras, dos seres visíveis e invisíveis achavam que ela estava indo por caminhos falsos e perigosos. As centenas de clientes da XamAM incomodavam aqueles/as cujos consultórios permaneciam vazios. A psicologia bateu pesado e os invejosos criaram fantasias e mentiras em torno daquela que ousava trazer algo que nunca havia sido escutado e pensado na Bahia e pode-se mesmo arriscar dizer, no Nordeste. Era um tempo difícil e cheio de armadilhas. O tambor tocado era confundido com seitas religiosas, as vivências eram condenadas, o estilo da XamAM questionado até a última gota.Mas a mulher da terra acreditava e seguia seu destino. Muitas vezes sozinha, chorando na mata, pedindo ajuda a seus avós. Sem compreender porque tanta perseguição olhava o infinito e clamava por justiça e força.O tempo, companheiro do espaço a acolhia e dizia baixinho, paciencia. A Europa a chamou e a Alemanha a resignificou, em seguida vieram Itália e Suíça.
Hoje, o xamanismo é aceito, virou moda e a XamAM segue feliz pelos caminhos que ela mesma escolhe fazer, livre por conhecer a vida e confiar em sua própria sabedoria ditada pela Deusa Mãe. E tantos/as que a condenaram, hoje se dizem xamãs. "É verdade, muitos/as desses/as que aí estão nunca suportaram uma busca da visão por mais de tres noites, reclamavam do frio, dos jejuns...mas o tempo segue seu percurso e o espaço sua rota."

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

A história da Água Engarrafada!

Dia 28 de julho de 2010 a Assembléia Geral da ONU declarou o acesso à água potável como Direito Humano Fundamental.
Há um tempo atrás, Annie Leonard, pesquisadora e apresentadora da História das Coisas (Story of Stuff - video disponível no youtube), foi atrás da história do acesso à água. Confira o video abaixo e seja mais um a despertar para fazer com que nossos direitos fundamentais sejam respeitados.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Relato da Jornada ao Peru, junho 2010

A Xamã pede desculpas pelo atraso na atualização do blog. É que a viagem do Peru foi intensa demais e foi necessário alguns dias para elaborar o que foi vivenciado e além disso, tentar traduzir de forma simples e verdadeira o que foi vivido não foi algo muito fácil. Leiam e usufruam dessa indescritível jornada e aí quem sabe, na próxima, você se encoraje a ir também?

Viagem ao Peru - um relato

Primeiro dia - O bairro de Lima, chamado Miraflores, pertinho do mar,acolheu o grupo de 21 pessoas que estavam abertas a se lançarem na jornada mítica de idas a templos pré incas, trilharem caminhos inusitados, se conhecerem mais e comungarem a erva sagrada de Wachuma, a medicina sagrada dos desertos e serras andinas. Um lindo círculo de partilha e no final, a elaboração e construção da oferenda à Pacha Mamma. A sagrada folha da coca era distribuída de forma respeitosa naquela oferenda onde haviam doces, biscoitos, conchas do mar e muitas cores.


Segundo dia - Em Chiclayo, após havermos comungado Wachuma, a medicina sagrada, partimos para conhecer o museu do Sr de Sípan, antiga civilização andina onde a arte, a música, o artesanato em argila e ouro eram referências básicas no dia a dia daquela civilização. Senor de Sípan, o mestre, curandeiro, governante dirigia todo aquele esplendor buscando justiça e paz.Entrávamos cuidadosamente naquele mundo mítico guiados/as pelas mãos dos Xamas, Alba Maria e Vítor Estrada. Dali seguimos para Tucume, as pirâmides que ainda hoje guardam mistérios insondáveis. As realidades paralelas se revelavam em ondas de vida e sons. A Xamã recebe a flor de Wachuma em seu coração, seus olhos vertem lágrimas de amor e compaixão. A gratidão invade o espaço.


Terceiro dia - Nossa caravana segue em sua casa ambulante, um ônibus muito bom, guiado pelos amorosos e competentes condutores, Raul e Ricardo. Pós comungar Wachuma, seguimos para o pequeno povoado de Magdalena de Cao. No percurso encontramos nosso amigo, Régulo, o arqueólogo responsável por uma das maiores descobertas já realizadas nos Andes: o estonteante complexo da Senhora de Cao. À beira mar, tres imponentes pirâmides, formando um triângulo poderoso, outrora utilizado em grandes ritos. Em uma das pirâmides vivia a grande governanta, a primeira governanta mulher de todas as civilizações já encontradas no Peru: a Senhora de Cao. Ali permanecemos durante todo o dia vivendo memórias e revelações, realidades e realidades se sucediam em um interminável desfile de beleza e poder. Ao final do dia, no local preparado para o rito aos quatro elementos, doamos nossa oferenda ao Avô Fogo e em seguida um presente pra Xamã: o cacto de Wachuma mostrava sua primeira flor que se abria qual flor de lótus.



Quarto dia - Seguimos pra Trujillo extasiados/as por tanta beleza que aquelas montanhas nos revelavam. Wachuma continuava seu trabalho de cura e revelação.
Quinto dia - Cedo ainda fizemos um suave círculo de partilha e cada um/a definiu por si o que fazer. Era um de nossos dias livres.



Sexto dia - Pós desjejum, viajamos durante 11 horas rumo a Chavín de Huantar, era ali que havia o poderoso templo de Wachuma.


quarta-feira, 26 de maio de 2010

Carta da Turquia

A XamAM sonhou durante quase dez anos em ir a Turquia, especificamente visitar a cidade de Konia, onde Rumi, o poeta místico viveu. O poeta nasceu no Afeganistão, mas por motivos familiares sua família mudou-se para Konia, região pertencente à antiga Anatolia. Era um eminente professor de filosofia muito amado por seus discípulos. Sua vida era uma vida comum. Um dia, encontrou-se com um homem, Shams e sentiu Deus nele, descobriu o amor divino e tornou-se um poeta, um dervixe que girava horas sem parar, olhando as estrelas, e falando poesias. Sua vida mudou completamente. Foi inundado pela tolerância, compaixão e paciência, as três qualidades que o acompanharam durante toda sua vida. Conseguiu unir religiões normalmente intolerantes entre si: muçulmanos, judeus e católicos, todos giravam com ele e se deleitavam com sua poesia.

Primeiro dia – a XamAM andou pela cidade de Konia, entrou em algumas de suas inúmeras mesquitas, sentiu a terna energia daquele povo e finalmente chegou ao museu de Mevlana (que significa homem gentil), Mevlana Rumi, como é conhecido em Konia. O coração da XamAM batia forte quando entrou na antiga mesquita. O som da flauta devocional, a sala onde antigamente os discípulos estudavam ajoelhados o Koran, as tumbas de Mevlana e de sua família, a sala do giro e a antiga mesquita eram verdadeiramente uma magia de um sonho transformado em realidade.

Segundo dia – Seguiu a XamAM para uma visita à cidade de Sille, onde haviam cavernas incrustadas nas rochas, local onde em tempos passados as pessoas moravam e meditavam, viu o artesanato da região e em seguida seguiu para ver algo que a fascinava. A cidade de  Ça- talhöyük, descoberta nos anos 90. Uma antiga civilização que tinha a Deusa Mãe como sua Amada. As habitações eram coladas umas às outras, não tinham portas e a entrada era pelos telhados. Para dormir eles entravam em suas construções feitas com barro, mato seco e água, ali também eram enterrados seus mortos. Muitas pinturas rupestres e uma bela estatueta da Deusa feita em argila davam o toque de magia e beleza ao local. A XamAM confirmava mais uma vez dentro dela mesma sua linhagem, a linhagem da Deusa Mãe.
Terceiro dia – Era o último dia da XamAM na cidade generosa de Konia. O retorno ao museu de Mevlana Rumi era a meta maior, além da visita à mesquita de Shams, o inspirador de Rumi. Cedo ainda, seguiu para o museu e agora, sem ansiedade pôde se deleitar de cada espaço, caminhando vagarosamente por cada sala, extasiada com a arte e beleza do local. Dessa vez pôde observar melhor um dos locais mais importantes do museu: a cozinha. Era ali, naquele local que o discípulo decidia seguir ou não aquele caminho. Ele deveria ficar durante três dias ajoelhado observando tudo que se passava no local. No terceiro dia decidia se tinha ou não forças para continuar o caminho que prosseguiria por 03 anos estudando 18 matérias. Só depois disto tudo é que seria considerado um dervixe. Em seguida a XamAM sentou pertinho da fonte, leu Rumi e bebeu da água sagrada. Com o corpo e a alma nutrida se despediu do local e foi concluir sua viagem devocional na mesquita de Shams. O silencio, a solitude eram a tônica dali. A XamAM meditou, orou, agradeceu e seguiu seu caminho na vida.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Matrimônio Interior

Alemanha
A natureza nos aguardava com sua beleza e o sol festejava nossa chegada no local: Hellenthal (Eifel), casa de Abrahm, Alemanha. O trabalho iniciou com uma bela dança de lenços formando mandalas e aproximando cada participante de si mesmo e do outro. Em seguida, práticas corporais exercitando a revelação do medo corporal e como relaxar no próprio medo. Logo após um pequeno intervalo, um belo círculo de partilha, estórias e os abraços de boa noite.
Dia seguinte a preparação para o rito do Matrimônio Interior, o significado do verdadeiro matrimônio era profundamente trabalhado, a dualidade tornando-se Unidade. A fogueira, os cânticos, as mandalas, as oferendas... à tardinha, o belo rito fazendo-se. Arroz e milho sendo ofertados aos seres da natureza, o pôr do sol, nossa árvore sagrada que a tudo abençoava. Logo após,nossa cabana da purificação, onde mergulhamos em mundos paralelos, dobras do tempo e da realidade. Por fim, a celebração, com um belo jantar, bolos e sucos.
Nosso último dia, ainda de madrugada, a meditação dos gongos, nossa consciência se ampliava e os sons nos levavam a campos desconhecidos. Em seguida, um maravilhoso desjejum nos esperava, a partilha final em volta da fogueira, o agradecimento ao local, às pessoas. A hora de mergulhar mais uma vez na realidade do cotidiano nos aguardava, agora seria nosso teste na vida, no dia a dia. Teríamos verdadeiramente mergulhado nos campos benditos de nós mesmas/os e feito o link com nossa realidade ou somente teríamos reforçado a dualidade? Só o tempo poderia dizer.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

XamAM na Itália



 A XamAM decidiu o ano passado iniciar um ciclo de palestras e apresentações. Foram quase sete anos de  silêncio. A fala era só nos grupos que fazia e nos escritas."Percebi que não tinha maturidade para falar sobre meu tesouro, o conhecimento e a sabedoria que brotavam de mim eram interpretados de forma inadequada, talvez nesse período eu estivesse frágil e não tivesse a sabedoria de doar aquilo que minha Mãe, minha Mestra, a Natureza me tivesse doando. Assim resolvi ousar calar". " Mas , ano passado," continua a XamAM "senti que meu tempo de expressar o xamanismo que trilho, que fala da Deusa Mãe, onde sou guiada pelos meus/minhas Avós, a Terra, o Ar, o Fogo e a Água precisava e queria se expressar. Deixo claro minha escolha, meu caminho pra que as pessoas possam distinguir as diferentes vertentes do xamanismo e assim possam decidir se querem participar do trabalho que realizo há uma dezena de anos."


E foi assim que os convites inúmeros se sucederam.Na Itália, belíssimas apresentações, publico lotando os espaços. O Congresso de Bagnacavallo, onde ao final da palestra as pessoas pediam mais e mais...em Bolzano várias palestras, além de entrevistas na televisão e nos jornais locais. No Centro della Pace à noite, era belo ver centenas de pessoas chegando, o auditório lotado e muitas pessoas retornando por não ter lugar pra ficar. Ao final, as canções e os aplausos que não cessavam. O tema: Ecologia Integrativa. Beleza de apresentação!Noite seguinte um encontro formal com os rotarianos e novamente a fala segura da XamAM e os agradecimentos calorosos daqueles homens (a grande maioria) e mulheres elegantemente trajados.

Bad Zwesten - Alemanha

09 a 12 de maio de 2010


São quatro dias de intensa jornada em busca do animal mestre...um vibrante grupo se constitui com a intenção de um trabalho totalmente xamanico, o encontro com o animal mestre é o encontro de cada um/a com sua força velada, seus sentimentos escondidos no labirinto dos campos imaginários. Acessar o campo pessoal, tocar no gerador da energia emocional e sair inteiro/a para trilhar sua História, também chamada Destino.
Nos dois primeiros dias a dança das cores com os instrumentos: tambores , maracas,  gongos chineses, sinos tibetanos é o ponto alto. O grupo mergulha sem trégua ao encontro de si mesmo. Em seguida, o círculo de partilha e a beleza em ver a sabedoria de cada pessoa, de cada curador/a que ali está. “Aguardo você o ano todo pra fazer esse trabalho “, diz um dos curadores à XamAM.














Os dois últimos dias são dedicados à construção da persona do animal, momento íntimo entre as mãos que tocam a argila, o gesso...e o sentimento que vem da mente e do coração. A dedicação é também direcionada para a construção da cabana da purificação. Em volta do fogueira os mantras são cantados e a dança celebrativa para os animais que surgem: rinocerontes, águias, corujas, aranhas....à noitinha a entrada na cabana. Uma chuva gelada cai abençoando o trabalho. Fora um frio penetrante, dentro da cabana um calor aconchegante. Dia seguinte a despedida, abraços de reencontro, olhares de amor e vida. E a XamAm segue seu caminho ensinando as ferramentas para que cada um/a possa colorir sua própria vida.

sábado, 8 de maio de 2010

Passagens de uma Viagem - Bélgica

Segundo dia da Bélgica

O sol chegava de mansinho e a XamAM despertou cedinho pra jornada de cuidar do corpo. As pessoas esperavam por ela na sala cuidadosamente arrumada para isto. A música suave indiana inundou o ambiente e durante duas horas o grupo foi mergulhando em si, conhecendo com detalhes o corpo e suas reações.




Em seguida, os atendimentos individuais e à noitinha um belo círculo de partilha, canções danças e a despedida. Muita alegria e lágrimas de felicidade por tanta beleza!





Sete de maio de 2010


Carta da Bélgica – pequena partilha.       

Caras pessoas,
A chuva fininha cai e o ar frio, fresco, vai povoando a paisagem. As flores mostram suas cores vivas e plenas de pura beleza se revelam. A Xamã está aqui, atendendo pessoas, fazendo círculos de partilha, falando sobre a existência. São momentos em que é vista meditando sobre si mim mesma, mergulhando no grande caldeirão de sentimentos, conceitos e pouco a pouco como uma antiga tecelã transformando tudo que ainda a aprisiona.
Enquanto aguarda a próxima pessoa, senta-se próxima à janela e observa a paisagem lá fora. As montanhas a reconhecem e os animais brincam entre si. Os pequenos lagos se enchem de vida e transbordam amor. Nuvens cinzentas e um raio de sol que teima em existir e se fazer presente. Um traço da Xamã, um pequeno raio de sol nas paisagens quase sempre escuras da vida. Da natureza que clama, da Avó Água que inunda, do Avô Sol que explode em chamas através dos vulcões, do Avô Ar que varre através dos furacões e tornados as paisagens, da Mãe Terra que mostra suas feridas e urra com seus terremotos.
À noitinha o círculo de partilha. Os temas mais solicitados : transformação, busca de consciência para um novo ciclo, menstruação. E no final os cânticos com tambores e a dança resgatando memórias e fazendo renascer a força da vida.Antes de dormir, a Xamã clama com todas as suas forças a Oração da Grande Mãe enquanto escuta uma suave música ao piano. Bons sonhos, que seja uma iluminada noite para todos/as.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

XamAM em jornada

Seis de maio de 2010 ,

Colônia,Alemanha

Estou aqui na Alemanha, ontem fiz um belo círculo de partilha em Colônia, a chuva caía sem parar, a temperatura ia a 7 graus, mas o calor aconchegante da sala nos fazia cantar e celebrar o tempo que ali estávamos. Antes dali dei uma entrevista na rádio WR5 e a jornalista, Atiga, foi de um interesse incrível sobre o xamanismo e a ecologia integrativa. Tudo vai caminhando e ciclos vão se abrindo e outros, fechando. Hoje, sigo pra Bélgica...

domingo, 4 de abril de 2010

Círculo de Partilha


A Xamam Alba Maria mergulhou há vinte e cinco anos nas sendas do xamanismo. Filha de pais com traços marcadamente nativos, foi chamada pelo Caminho desde que aos sete meses de idade viveu a experiência de um sintoma físico que a retirou do convívio natural com as outras crianças. Em sua solidão, aprofundou e ampliou seu campo imaginário tocando realidades desconhecidas e inacreditáveis para os adultos que a cercavam. Nas partilhas, à noitinha, responde temas pertinentes ao Caminho e se deleita partilhando saberes de sua própria existência.

Participante: Alba, essa noite eu tive um sonho, um sonho onde eu estava, vamos dizer entre o bem e o mal e passei por um momento difícil durante o sonho por causa de uma tempestade e quando tudo terminava, eu senti um amor muito pacífico dentro de mim, o gosto do amor pelo amor. Depois do desjejum quando conversamos, eu experimentei o mesmo sentimento, eu queria que você falasse um pouco sobre esse amor pacífico.
Alba: Ele é pacífico, por que é sem desejo, sem expectativas, nada quer. Quem nada quer pode caminhar sem problemas, sem ter que fazer articulações, sem precisar fazer planejamentos, sem precisar fazer negociações; o verdadeiro amor ama por que ama. Algumas pessoas têm flash desse amor, outras vivem nesse amor e a maioria não toca esse sentimento nunca, nunca, nunca. De verdade, ele não é um sentimento, é um estado de pacificação interior, as palavras não conseguem explicar, então se diz:” Tô sentindo uma paz”. Esse estado, essa permanência nesta vibração é tão pacifica que se consegue diluir os desejos e todas as necessidades. Uma profunda e completa respiração, nem inspiração ansiosa, nem expiração medrosa, simplesmente um movimento pacífico,  sem interferir no movimento da natureza. A permanência na perfeita harmonia, tudo em perfeito equilíbrio, incluindo nossos corpos, então se pode respirar, nada em desequilíbrio, por que dentro de si tudo está sendo amparado pelo corpo sutil da Existência, um instante muito abençoado.

domingo, 28 de março de 2010

DEIXE-ME VIVER!




Os pássaros, as cigarras, as galinhas, os galos, os bois e vacas nos pastos anunciavam o doce amanhecer. Eram puros em seu despertar e cantavam seu canto de amor. Não imaginavam que a morte desigual estaria rondando suas vidas. Eles que nos ofertavam canções de vida não teriam direito de viver a própria vida.A selvageria de nossas crenças os predestinavam à dolorosa morte daqueles que são indefesos.

Confira os videos sobre o tema:





Você bebe leite? 28 coisas que você deveria saber:
http://www.youtube.com/watch?v=D2J6phADJvY


Conheça sua Carne (Meet your Meat) (parte 1 de 2):
http://www.youtube.com/watch?v=FYcfpf5AW6s&feature=PlayList&p=49858F231084748D&playnext=1&playnext_from=PL&index=3